Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
o polidor

lá ia na azinhaga

o Homem, corria

até corria

lembro-me de tudo sempre assim

quando ia, até corria

na sua ânsia de chegar

descendo as ladeiras

para polir generosamente vidas

com o pincel de sempre

usado com uma ciência mestral



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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
the nothing box...

tem sido sempre

silêncio, noite,

todo o tempo, quase todo,

que me pergunto

se a cadente estrela

a reluzente estrela

és tu?

e tem sido esse o tempo

um quase tudo de nada…

olho tantas vezes

para a última porta

para o cheiro instituído

olho tantas vezes

para esta fartura de nada

para a mão vazia

para a boca que não terá mais beijo na manhã

para aquele ombro cavado do teu

nada tem sido sempre

silêncio, noite, quase sempre

quase todo o tempo

que nem longe ou perto te sinta

o que és tu?

que tanto tens de nada

que quase tudo parece uma lambança assim

daquelas que nos marcam

assim daquelas que ficam

presentes com a tua ausência



publicado por Ricardo Castro Alves às 21:08
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
...

beija-me hoje

amanhã não sei

se teremos luz ou lua

hoje. porque te sinto

intima a paixão

a ferver em pulos

 

hoje enquanto

o corpo ainda suspira o dia

que se passou cheio

pelas mãos tão depressa

enquanto não me ocorrias

ou nada, como quase sempre

 

entrega-me hoje

o cheiro morno

da crença dos sentidos

tão imberbes da paixão

e ouve no piano

quem és em cada corda



publicado por Ricardo Castro Alves às 19:57
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011
Alguns principios

Quando julgava tudo muito parado heis que se acaba outro ano. Quanto tinha tudo feito por meio de pensamentos, tive de improvisar um desfecho para que se baixasse o pano. não que me quisesse despedir fosse do que fosse mas porque outro ciclo de vida começa dentro de muito pouco. Cada vez mais faço das passagens de ano, isso mesmo, uma passagem. Redefino-me e abraço todos os proncipios que ambiciono.

 

Sejam felizes, não se esqueçam de sorrir e de rir.

 

Feliz Ano Novo

 

Lino Costa



publicado por Ricardo Castro Alves às 13:52
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
banal. tal e qual

se me amares

durante o nosso azul

ama-me como

no durante do nosso beijo

de quando nos entregamos

ao embate das jornadas longas

 

se me amares

traz sempre quem nos salve

se me amares

embriaga-te numa repetição

 

da musica constantemente, igual a ti leve, leve, leve

porque não te vou permitir diferença

nem tempo perdido no pensamento

imberbe de uma incerteza

tida porque não consegues igualar

o que dou por igual digo-te, ser tal e qual como o banal



publicado por Ricardo Castro Alves às 14:56
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011
rubro pecado

durante as lágrimas do céu

a, quase, serva entrega-se

usada, a um leito fervente

enquanto tudo se escorre por ela…

o fumo que a encegueira

o sentir de tremura, de possuída

e de um resto de saliva que escasseia…

até que contorcida

morde um pedaço de boca,

e os olhos cada vez mais se desmaiam

entre um sabor que não acaba

e o cansaço que a leva adormecida

enquanto o rubor do sexo

se expande até à alma intacta

e faz, a ferida de outro pecado

que não se consente à pureza quase extinta…

e morre lenta como a noite

até ressuscitar com a aurora quente

viciada por mais

presa a um receio de vergonha no pedir

dos olhos frescos



publicado por Ricardo Castro Alves às 14:14
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011
horizonte, linha marginal...

 

 

 

mais do que te beijar durante tanto nunca

matas-me quando não te permites possuir

por mim que te venero em sorvos

 

mais do que eu a mim

que com o passar cheio de nada

mais me entrego a um desespero

 

e interrompo tudo o que penso

com o que pensarias

se estivesses em mim

 

deixei de te embriagar

ou de te fazer sonhar comigo

deixei de ser o teu mar total

 

não sei de que névoa

se faz o teu horizonte

mas não me tenho feito ver

 

 

Cada vez mais verdade... o meu blog, com anos de existência. Obrigado.



publicado por Ricardo Castro Alves às 11:02
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Sábado, 19 de Novembro de 2011
(revivência:) Borda Mãe

 

borda mãe

o alinhavo, borda
o bis ponto pelo linho
a mão na minha cara
borda mãe, de letra em letra
 

 
cada noite que não me adormeceste
e todas as mãos que te faltaram
para mim para eles para Ele
borda a flor e o ramo
nesse requintado pano
 

 
sem o dedal nem a linha
nem agulha. Anil tem
meu no céu em bruto
borda aquela nuvem e o castanho
dos meus olhos
 
 
 
o meu sorriso e as sombras
borda mãe prá bica de pau
que eu levo à tarde
venho pela vereda, borda
tudo como te ensinou tua mãe
 
 
Porque sim... obrigado
Poema de 2006 


publicado por Ricardo Castro Alves às 14:53
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011
TERABYTE Bolinhas

 

 

 

ainda escrevo poemas

e confesso tantos desejos

que a conjuntura, porque não exigem impostos,

deixa-os quase todos na reciclagem

dos senhores das entrevistas

 

quando lhe ouvi a voz

era tanta a tremura e o temer

que presas ao perfil escrito

aquela alma nem se lembrou

de respirar nas virgulas, nos parágrafos…

ou de pestanejar

 

ainda existem

senhores que entrevistam

se fossem gravadores

teriam de suportar terabytes de informação

escreverei sempre poemas no meu perfil



publicado por Ricardo Castro Alves às 16:33
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2011
...

 

 

cada chuva

escreve-se pela frieza  lisa dos vidros

imagino-a lágrima

imagino-a olhos e rosto

 

cada chuva

me serve de consolo

a reforçar que ainda

chora muito mais do que eu

 

por ela começo um poema

e fecho mais uma porta de mim

outra luz que apago

outra casa que não terá cheiro de comida

 

a cada chuva

liberto-me numa pergunta

de quem sou simplesmente

quando me esbanjo em ser mais

 

ou mais do que consigo ver

quem és? Tem-me dito o espelho

a quem não olho, há… (não sei)

tanta chuva



publicado por Ricardo Castro Alves às 18:10
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011
...

 

NÃO GRITES MAIS ASSIM NA TUA VIDA...

 

 

 

 


 


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publicado por Ricardo Castro Alves às 16:00
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011
...

permite-me fazer dançar,

fazer dançar teu ventre

remexer, como o vento, o cume

dos teus vales inquietos

e beijar-te a boca

quando o teu desejo

se verter como um rio

pelas horas da nossa

vida obtusa de viagens

 

deixa-me lembrar-te

os cheiros das noites loucas de fado

 

do deambular pela Alfama

de Taverna em taverna

a alimentar-te o desassossego do corpo

pelo desejo descontrolado

de te possuir em qualquer

viela durante a noitada

em que um canto confidente

guardaria outro segredo

da noite malvada



publicado por Ricardo Castro Alves às 15:40
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011
Elisa s'a cana vem

António que me levas, António,

António que me levas a mim

Eu nasci para António

António nasceu para mim...

 

Poesia Popular - Elisa do Charrão

 

Elisa do Charrão, é uma Madeirense, que nasceu para António, mais conhecido por "Cannabis". Elisa é uma agarrada à famosa erva...

 

Não é nada... mentira... quem conhece a história deve já estar a rir-se.

 

Elisa foi uma mulher Madeirense, muito conhecida pelas suas capacidades filósofas referentes à vida e pelos vistos venerava o Marido, António. Durante algum tempo fez questão de tornar público este arranjo poético dedicado ao seu falecido.

 

Ouvi-o a primeira vez num dia em que o meu pai lhe estava a dar uma massagem e quase nua, citava estas palavras com uma alma enorme.

 

Deve ter arrebatado António de forma simples e fácil, mulher de olho claro que aos oitenta e tantos pintava o cabelo de ruivo e aprumava-se para os arraiais... onde levava sempre o seu irmão João, que era um senhor com alguns défices mentais... daí o titulo, durante as girandas dos arraiais, Elisa, a vaidosa, adorava ficar a ver de perto o espectáculo e o irmão João com medo dizia: "Elisa, s'a cana vem...", a cana do foguete depois de explodir.

 

Cumprimentos,

 

Ricardo Castro Alves


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publicado por Ricardo Castro Alves às 20:35
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30

afinal há mais, já são trinta.


grafonola: Layla - Eric Clapton
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publicado por Ricardo Castro Alves às 10:24
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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011
...

Mãe, Pai, Parabéns...



publicado por Ricardo Castro Alves às 08:45
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...

ligo os poemas

a todos os sois do teu sorriso

por ser tão grande que se digna a mim

de uma distância que não calculo,

 

ligo os poemas

ao beijo que hoje

quase não te dei

porque dormias leve

que não te via de transparente

sobre o escuro de ser do resto da noite

presa ao sonho que te fazia sorrir

 

agora, que de ti mais disto, ainda,

mor o relevo da saudade

por isso levar-te-á um beijo, o vento,

esse de quem admiras a ousadia

porque te toca mesmo quando não consentes

e escorrerá esse beijo

pela pele tua aquando de te ver

 

dorme lenta

porque mais lento e lêvedo irá no tempo

o beijo com o vento

que te chegará pela hora de um suspiro teu



publicado por Ricardo Castro Alves às 08:43
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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011
????????????????????????????????????????????????????????????????

nada aparece por aqui num acaso... e nada faço com um acaso, às vezes sinto-me uma máquina cansada de pensamentos, será que os computadores também caem em depressões??????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????



publicado por Ricardo Castro Alves às 11:55
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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011
caminhos novos II

e namoram

mesmo pela minha fronte

são dois favos de mel

são dois apaixonados…

hoje o murmúrio nasce dos olhos

e o sentimento nasce como um rio

dos sexos, quando as mãos se deixam ver

outra vez…

com os olhos fechados

entre o tempo do beijo que não cessa

e consente a textura leveda das línguas

…outra vez…

assim a vaguear

na entrega quase garantida

da carne faminta

da dor que sabe e de amor

jurado durante o silêncio do gemido

…namoram outra vez…

em que finalmente lhes verei os olhos…

não…, …vem outra vez nos lábios

a cor do desejo atrevido e invasor

que a ela hipnotizou

e a ele pulsou

assim que soube um haver de outra vez



publicado por Ricardo Castro Alves às 12:01
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Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011
ode...

vou contigo

vamos permitir

que nos admirem

numa inveja do sorriso

 

vamos

emitir a quem não sabe

o caminho omitido da felicidade, a tanto…

depois de acesos os nossos corações

enquanto toco a ti algo que te mova leve

durante todos os que caminham à descoberta

 

das cores vivas pelo ar

trazidas por uma brisa viciante

à mais leve carne morta

de quem não sabe como amar

à mais recente carne que irá reviver o viver

mas embebido pelo sentimento que marcará nova historia

 

e que dessas

bonanças, sabores novos,

cresça um amor assim

repleto de quase tudo o que o nosso tem


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publicado por Ricardo Castro Alves às 01:12
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Terça-feira, 23 de Agosto de 2011
(des)concertantes sentimentos

amando consigo manter-me

pelos azos de ser

implacáveis que nunca perdoam

 

poucos têm sido os dias

que não me mato outro tanto

outros tantos são os dias que existo a morrer

 

a amar me contenho

no desespero dos pensamentos

quase proibidos

quando faço da noite a soleira do principio

 

e nenhuns são os dias a quem não permito

o enegrecimento de existir, o impróprio,

e de me triturar a carne cansada

 

a amar meramente consinto

o vento ousado

a venerar a minha passagem, a minha soltura



publicado por Ricardo Castro Alves às 22:12
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