lá ia na azinhaga
o Homem, corria
até corria
lembro-me de tudo sempre assim
quando ia, até corria
na sua ânsia de chegar
descendo as ladeiras
para polir generosamente vidas
com o pincel de sempre
usado com uma ciência mestral
tem sido sempre
silêncio, noite,
todo o tempo, quase todo,
que me pergunto
se a cadente estrela
a reluzente estrela
és tu?
e tem sido esse o tempo
um quase tudo de nada…
olho tantas vezes
para a última porta
para o cheiro instituído
olho tantas vezes
para esta fartura de nada
para a mão vazia
para a boca que não terá mais beijo na manhã
para aquele ombro cavado do teu
nada tem sido sempre
silêncio, noite, quase sempre
quase todo o tempo
que nem longe ou perto te sinta
o que és tu?
que tanto tens de nada
que quase tudo parece uma lambança assim
daquelas que nos marcam
assim daquelas que ficam
presentes com a tua ausência
beija-me hoje
amanhã não sei
se teremos luz ou lua
hoje. porque te sinto
intima a paixão
a ferver em pulos
hoje enquanto
o corpo ainda suspira o dia
que se passou cheio
pelas mãos tão depressa
enquanto não me ocorrias
ou nada, como quase sempre
entrega-me hoje
o cheiro morno
da crença dos sentidos
tão imberbes da paixão
e ouve no piano
quem és em cada corda
Quando julgava tudo muito parado heis que se acaba outro ano. Quanto tinha tudo feito por meio de pensamentos, tive de improvisar um desfecho para que se baixasse o pano. não que me quisesse despedir fosse do que fosse mas porque outro ciclo de vida começa dentro de muito pouco. Cada vez mais faço das passagens de ano, isso mesmo, uma passagem. Redefino-me e abraço todos os proncipios que ambiciono.
Sejam felizes, não se esqueçam de sorrir e de rir.
Feliz Ano Novo
Lino Costa
se me amares
durante o nosso azul
ama-me como
no durante do nosso beijo
de quando nos entregamos
ao embate das jornadas longas
se me amares
traz sempre quem nos salve
se me amares
embriaga-te numa repetição
da musica constantemente, igual a ti leve, leve, leve
porque não te vou permitir diferença
nem tempo perdido no pensamento
imberbe de uma incerteza
tida porque não consegues igualar
o que dou por igual digo-te, ser tal e qual como o banal
durante as lágrimas do céu
a, quase, serva entrega-se
usada, a um leito fervente
enquanto tudo se escorre por ela…
o fumo que a encegueira
o sentir de tremura, de possuída
e de um resto de saliva que escasseia…
até que contorcida
morde um pedaço de boca,
e os olhos cada vez mais se desmaiam
entre um sabor que não acaba
e o cansaço que a leva adormecida
enquanto o rubor do sexo
se expande até à alma intacta
e faz, a ferida de outro pecado
que não se consente à pureza quase extinta…
e morre lenta como a noite
até ressuscitar com a aurora quente
viciada por mais
presa a um receio de vergonha no pedir
dos olhos frescos
mais do que te beijar durante tanto nunca
matas-me quando não te permites possuir
por mim que te venero em sorvos
mais do que eu a mim
que com o passar cheio de nada
mais me entrego a um desespero
e interrompo tudo o que penso
com o que pensarias
se estivesses em mim
deixei de te embriagar
ou de te fazer sonhar comigo
deixei de ser o teu mar total
não sei de que névoa
se faz o teu horizonte
mas não me tenho feito ver
Cada vez mais verdade... o meu blog, com anos de existência. Obrigado.

borda mãe

ainda escrevo poemas
e confesso tantos desejos
que a conjuntura, porque não exigem impostos,
deixa-os quase todos na reciclagem
dos senhores das entrevistas
quando lhe ouvi a voz
era tanta a tremura e o temer
que presas ao perfil escrito
aquela alma nem se lembrou
de respirar nas virgulas, nos parágrafos…
ou de pestanejar
ainda existem
senhores que entrevistam
se fossem gravadores
teriam de suportar terabytes de informação
escreverei sempre poemas no meu perfil

cada chuva
escreve-se pela frieza lisa dos vidros
imagino-a lágrima
imagino-a olhos e rosto
cada chuva
me serve de consolo
a reforçar que ainda
chora muito mais do que eu
por ela começo um poema
e fecho mais uma porta de mim
outra luz que apago
outra casa que não terá cheiro de comida
a cada chuva
liberto-me numa pergunta
de quem sou simplesmente
quando me esbanjo em ser mais
ou mais do que consigo ver
quem és? Tem-me dito o espelho
a quem não olho, há… (não sei)
tanta chuva
NÃO GRITES MAIS ASSIM NA TUA VIDA...

permite-me fazer dançar,
fazer dançar teu ventre
remexer, como o vento, o cume
dos teus vales inquietos
e beijar-te a boca
quando o teu desejo
se verter como um rio
pelas horas da nossa
vida obtusa de viagens
deixa-me lembrar-te
os cheiros das noites loucas de fado
do deambular pela Alfama
de Taverna em taverna
a alimentar-te o desassossego do corpo
pelo desejo descontrolado
de te possuir em qualquer
viela durante a noitada
em que um canto confidente
guardaria outro segredo
da noite malvada
António que me levas, António,
António que me levas a mim
Eu nasci para António
António nasceu para mim...
Poesia Popular - Elisa do Charrão
Elisa do Charrão, é uma Madeirense, que nasceu para António, mais conhecido por "Cannabis". Elisa é uma agarrada à famosa erva...
Não é nada... mentira... quem conhece a história deve já estar a rir-se.
Elisa foi uma mulher Madeirense, muito conhecida pelas suas capacidades filósofas referentes à vida e pelos vistos venerava o Marido, António. Durante algum tempo fez questão de tornar público este arranjo poético dedicado ao seu falecido.
Ouvi-o a primeira vez num dia em que o meu pai lhe estava a dar uma massagem e quase nua, citava estas palavras com uma alma enorme.
Deve ter arrebatado António de forma simples e fácil, mulher de olho claro que aos oitenta e tantos pintava o cabelo de ruivo e aprumava-se para os arraiais... onde levava sempre o seu irmão João, que era um senhor com alguns défices mentais... daí o titulo, durante as girandas dos arraiais, Elisa, a vaidosa, adorava ficar a ver de perto o espectáculo e o irmão João com medo dizia: "Elisa, s'a cana vem...", a cana do foguete depois de explodir.
Cumprimentos,
Ricardo Castro Alves
afinal há mais, já são trinta.
Mãe, Pai, Parabéns...
ligo os poemas
a todos os sois do teu sorriso
por ser tão grande que se digna a mim
de uma distância que não calculo,
ligo os poemas
ao beijo que hoje
quase não te dei
porque dormias leve
que não te via de transparente
sobre o escuro de ser do resto da noite
presa ao sonho que te fazia sorrir
agora, que de ti mais disto, ainda,
mor o relevo da saudade
por isso levar-te-á um beijo, o vento,
esse de quem admiras a ousadia
porque te toca mesmo quando não consentes
e escorrerá esse beijo
pela pele tua aquando de te ver
dorme lenta
porque mais lento e lêvedo irá no tempo
o beijo com o vento
que te chegará pela hora de um suspiro teu
nada aparece por aqui num acaso... e nada faço com um acaso, às vezes sinto-me uma máquina cansada de pensamentos, será que os computadores também caem em depressões???????????????????????????
e namoram
mesmo pela minha fronte
são dois favos de mel
são dois apaixonados…
hoje o murmúrio nasce dos olhos
e o sentimento nasce como um rio
dos sexos, quando as mãos se deixam ver
outra vez…
com os olhos fechados
entre o tempo do beijo que não cessa
e consente a textura leveda das línguas
…outra vez…
assim a vaguear
na entrega quase garantida
da carne faminta
da dor que sabe e de amor
jurado durante o silêncio do gemido
…namoram outra vez…
em que finalmente lhes verei os olhos…
não…, …vem outra vez nos lábios
a cor do desejo atrevido e invasor
que a ela hipnotizou
e a ele pulsou
assim que soube um haver de outra vez
vou contigo
vamos permitir
que nos admirem
numa inveja do sorriso
vamos
emitir a quem não sabe
o caminho omitido da felicidade, a tanto…
depois de acesos os nossos corações
enquanto toco a ti algo que te mova leve
durante todos os que caminham à descoberta
das cores vivas pelo ar
trazidas por uma brisa viciante
à mais leve carne morta
de quem não sabe como amar
à mais recente carne que irá reviver o viver
mas embebido pelo sentimento que marcará nova historia
e que dessas
bonanças, sabores novos,
cresça um amor assim
repleto de quase tudo o que o nosso tem
amando consigo manter-me
pelos azos de ser
implacáveis que nunca perdoam
poucos têm sido os dias
que não me mato outro tanto
outros tantos são os dias que existo a morrer
a amar me contenho
no desespero dos pensamentos
quase proibidos
quando faço da noite a soleira do principio
e nenhuns são os dias a quem não permito
o enegrecimento de existir, o impróprio,
e de me triturar a carne cansada
a amar meramente consinto
o vento ousado
a venerar a minha passagem, a minha soltura
. espessialíssimos