Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
vês!

chamam-me os teus olhos

castanhos enormes de menino

porque sempre me tens teu norte

nascente expoente máximo e sorte

 

magnas estrelas

pronúncios de constância

poema azul, brando anil

matiz tão minha

 

de um jusante nascido

o enaltecido, reguila de retoiças

que nunca bastam, Salvador, cem não

criador de sentimentos

 

em mim fundidos

a quem um beijo não chega

a quem muitos são poucos

como foram até hoje



publicado por Ricardo Castro Alves às 01:02
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ainda nada

maresca veio aquela brisa

contida de uma inveja,

tal, pecado seria,

uma trambolhada mensagem

na laranjeira perfumada

um cheiro de primavera

um sorriso infinito

quem melhor  traria?


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publicado por Ricardo Castro Alves às 00:33
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Sábado, 5 de Maio de 2012
hoje

ainda hoje te vi

tanto tempo no

meu tempo para ti

quase tanto como o restante

digo-te que muito

como uma loucura

que ainda não consegui dizer

e usei o teu nome

que não escrevo que não esqueço

ouvinte do vazio da noite

tão improvável que começa com a aurora



publicado por Ricardo Castro Alves às 17:59
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Terça-feira, 1 de Maio de 2012
um grande Homem

uma das vertentes

do sucesso, é exercida

por grandes homens

a outra pela sorte

que protege, os outros, os audazes

 

ainda que vertido

esse rio, com margens quase perfeitas

corre como os cavalos pujantes

até ao primórdio da liberdade.

Os grandes Homens são livres

 

movem o poder dos oceanos

são pregão sábio aos peixes

e vezes ínfimas de silêncio

entre os silêncios de toda a vida

quando pede a emoção, porque estes também sentem



publicado por Ricardo Castro Alves às 11:22
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
pelas tardes (todas) de domingo

existo em ti

sou de ti

tantas danças e matizes

que não me descreves no arco-íris

quando sorva o céu do mar

 

em todo o redor

existes como ousadia

em tudo mesmo ausente

sinto-te o cheiro

e a voz cansada

 

enquanto fazes gemida a cantiga

pela tarde parada de domingo

com o cheiro a graxa

dos junquilhos no terreiro

enquanto se faz outra segunda-feira amanhã



publicado por Ricardo Castro Alves às 14:51
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012
passarinhos de primavera

tantos são os poetas

que não se servem do papel

para retractar passagens e pensamentos

com pinceladas de palavras

despidas como as mulheres de Lautrec

 

chilreiam aos ouvidos, esses poetas,

sussurros e segredos sem espada,

como os pintassilgos “bonitinhos”

com os olhos frios cheios de nada

quando corre morno o vento de primavera

 

e frágil fica o ramo

mesmo verde e tenro

como o grito imenso inaudível

que quando se esbate

não passa de palavra riscada

 

sobreposta, pelo pincel

que não pensa

pelo poeta que não admite

esta como vaga certa do poema

por isso chilreia qualquer coisa parecida também com nada



publicado por Ricardo Castro Alves às 10:51
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
silva vadia

tantas vezes

te tentei

mas, silva, não sufoques

que te abraças

ao que de mim atinges

mas, silva não sou



publicado por Ricardo Castro Alves às 12:18
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Terça-feira, 10 de Abril de 2012
...

embeveces-me tal

que não tenho letra para fado

e fazes-me jorrar uma insónia

na noite mesmo ao teu lado

 

fazes que uma chuva

cometa um pranto em mim

porque não faço existir

um possível poema

 

em que não me permito

rima nem nexo no verso

 

embeveces-me tal

que em mim o caminho acaba

quando emerges reflexa no espelho

da água vertida e  espezinhada

 

onde me diluo num adeus

por desistir do mundo como asas

e beber o que consinto de ti

uma incerteza, tu que hoje já me beijaste



publicado por Ricardo Castro Alves às 18:00
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Domingo, 8 de Abril de 2012
ginjeiral da Fonte Ferreira

virão outros ventos que te levem

todas as pétalas do ginjeiral

virão aqueles que te transportam

onde não há horizontes

muito além do côa

que o inverno abandonou,

e que o teu perfume inunda

e dá vida aos peixes sufocados

 

virão em ti perder-se,

os meus medos obtusos

no teu branco tão impuro,

que ladeias o caminho

vazio de peregrinos e de causas

onde nem o pasto resistiu à silva

onde nem resisti à tentação de te cheirar

enquanto não vêm ventos nem outros tempos

 

 

Algodres, 08 de Abril de 2012

Feliz Aniversário



publicado por Ricardo Castro Alves às 00:01
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Terça-feira, 27 de Março de 2012
O tempo

E o tempo insiste na demora.



publicado por Ricardo Castro Alves às 00:01
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