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versejos livres

versejos livres

27
Out06

sonho imperial

Lino Costa

seria meu esse trono

se não fosse eu um devoto e teu amante

que és o mais nobre conjunto de riqueza,

que me deu um dia o nascer

e daremos com um enxerto o doce fruto de nós dois

 

porque ontem descobri por segredo,

nasci para degredo e com causa

pra ser a existência de uma vida

com feitos de nexo e explicados complexos

vim para ser poeta e inventor de um caminho

 

ouvir-me-ás daí?

nesse distante altar que te sentei

onde consiste uma alegria, uma harmonia averbada

seremos o triângulo astral

unidos pela cana que enrola os novelos felizes do sul

 

tem-me este desejo de triunfante

de dar ao céu onde estás mais brilho

que te resplandeça o sorriso e te inunde de felicidade

e eu. Eu serei a joeira bamba que te rodeia num namoro

preso por um fio às mãos deste sonho

 

tenho as asas a brotar

pra princípio desta viagem principal

vou com este barco, enquanto o sol se põe

levo o nosso disco

um dia dançaremos os três, deixa-te ficar

 

 

Barreiro, 25 de Outubro de 2006

21
Out06

Homem do Triunfo

Lino Costa

 Para lá do horizonte

Em terras de pesca e maresia,

Pairas tu Homem, senhor do teu lar. 

Que és por hora detentor da fadiga constante,

Dedicas-te ao ofício,

Ergues-te, ainda o galo canta rouco, 

Descansa ó velho do trabalho carrasco. 

Larga as redes na prensa da canoa,

Vai por onde leva o mar,

Pelas ondas, triunfante,

Olhando a espuma fresca,

Vê como é belo o contorno dos montes.

Quando pensares na laçada que te atraca ao caís, 

Rema firme de encontro ao murmúrio, 

Sem medo da correria, 

Pois o mar deu-te o encanto de levitar na hora da dor.

21
Out06

O Cair do teu Rosto

Lino Costa

P’la cascata da tua face

Caiam-te as lágrimas

Desgastadas p’lo tempo 

Secas sem o teu saber.

 

Na tua memória 

Pouco te lembrava

O ultimo feito assim, 

Não sabias desse teu conseguir.

 

 Vi que choravas 

Quando há muito 

Molhavas o chão que eu caminhava 

E não me deste consentimento, nada.

 

Era a tua dor 

Desaguando p’lo leito dos teus olhos

À qual permitiu a tua nascença 

Porque a margem da tua alma era estreita.

 

Quis ser o mar 

Pra alívio da tua consumição 

Recebia nas minhas marés 

O cair do teu rosto.

 

Mas não fui azul

Nem tu um constante correr 

Porque a tormenta se afastou 

A meu pedido.

21
Out06

rosicler da aurora

Lino Costa

meu cheiro doce de amora

fresco e nascente rosicler

rasgando a bruma que se vai embora

não é uma qualquer,

 

é a manhã que nasce alvorada

pelo canto da passarada

que tanto sorri por ser quem sente

o alívio de quem acorda da gente

 

este efeito pintado

no mar que desperta abanado

é a luz da aurora

que se esvai no céu desmaiado

e que se refulge com o sol iluminado

 

tenho-me saudoso

sem me despertar

por ver, sentir este cheiro, sabor gostoso,

viver a noite e o tempo a pensar

 

assistir a tão enorme feito

saber tudo deste conceito

amar e mais amar com proeza

não ter meio nem fim nem tristeza

 

este marco que me ausenta

esta mão que me alimenta

é a luz da aurora

é a que tanto me adormenta

é a que tanto me quer e me apoquenta

21
Out06

utopica(mente) perfeita

Lino Costa

pelos escombros recondidos

remexo nas cifras intuitivas

pra ter certezas da indeterminação

com jogos de segredos inacabados

 

procuro a utopia

para me dar outro mundo

num renascer de castidades

com mares terras e omissão

 

este será o eixo da perplexidade

ficará na ponta mental de uma caminhada

e abrir-se-á com um ribeiro destemido

sem ausências de admiração ao que nele nasce

 

aqui se vão desfazer tendências

há tanto para enaltecer

e muito de dentro se descobrirá

aqui não existem mitos tudo é uma verdade

 

mas por hora é demente e desarmado

com efeitos de sonho erguido

que foi deserto foi seco

e que hoje se destina a um princípio uma estrada

21
Out06

folha

Lino Costa

na leveza do seu cair

uma folha voava perante o azul do céu

pouco tinha do seu verde

veias secas e grossas,

rodopiava em voltas e mais voltas

levada e trazido pelo vento

ora longe ora perto

a alegria do desapego

uma que estava à mercê de quem a fazia vagar

era de curta demora

mas andava a folha por onde queria a viração,

destinada sem saber ao secar ao apodrecer…

o vento de mau fugiu

cai de costas alegre ainda

mas viu o cemitério das suas irmãs,

ali na berma da estrada

mortas estaladiças

19
Out06

Candeia Sozinha

Lino Costa

Em exaltação
Recebi tuas palavras.
Estava ao relento da vida
Com um misto de atitudes
E no remoer dos teus versos
Descobri prazeres ocultos.
Vi em ti, poeta,
Infinita vivência,
E desvendei dialectos
Com o antídoto da simplicidade
A perdição em esbanjada proporção
Deu-me arrepender ao sentir
Mas com a lição por impulso,
Como que admirado,
Notei a candeia sozinha, na rua,
Ou a estrela que me falaste
Aqui e assim, tão perto de mim.
Viva esse teu instinto
Transmitido na poesia do teu coração
Feita em rebusca mental,
Que me fez fé e crença
No vagar natural das coisas
Que faço e deixo fazer.


Ao "Escultor de Sonhos", amigo, poeta e Mestre José Gabriel Gonçalves, um grande bem haja para ti.

19
Out06

Tróia, da névoa, perdida

Lino Costa
Tróia, da névoa, perdida
e do mar que te inunda
com rasgos das proas do avante
península que assombras
terras de vitória
 
aconchego de delfim
doirado horizonte de gaivota
que neste claustro te tomo
bela e longe,
como uma confraria limitada
 
olho-te airosa e formosa
sinuosa nua
com o teu rosto comprido
corpo estendido
e não te tomo por dentro
 
não me digas eu não te digo
fica-me com estas escritas palavras
já estas lavada e serena
como eu, com o mar
cumpre deixa que te beije a neblina
19
Out06

sonho (im)puro

Lino Costa
em passeata e pensamento
escondia-me uma bruma de rio
num vale pequeno profundo.
embebiam-me os pés fios de secura
réstias de uma sede que se morria cansada
 
noite escura, noite fria
tempo pela viela batida
de rodeira aberta esquecida,
donde avisto um vulto monge
dono da solidão e ainda distante me cumprimento
 
vem penado, vem alegremente cantando
num silêncio, e desses tantos vazios algo me quer dizer
voz magoada, voz calada, agudizo isolado
mas é primavera, vamos numa dança com o feno e a seara
e imberbes num instante de baile, fomos monte fora
 
trazia música, um vento serenado
com flautas sem franchadura, guitarras sem cordas
tambores sem pele, um coreto desertado…
esta minha estúpida utopia, esta minha fantasiada visão
que na névoa existiam cortinas a verdecer,
 
era a esperança ali dita
em argúcias e tão bela,
entibiou-se esta minha alma, até à hora hirta
ia-se aquele homem, o semblante de solidão
ainda tão perto a romper a rodeira
 
não fui contigo mais
porque não sei para onde partias
havia visto um horizonte iluminado, era a aldeia
respirava o fumo da lenha ardida
a essência do pão quente, a dança deu-me fome, fico aqui
 
 
Lisboa, 20 de Setembro de 2006
19
Out06

manhã carente

Lino Costa

vem ser comigo

tu, véu do horizonte

que não te distingo principio

corpo unido, andante

água leve que vens do céu

 

vem dizer-me

de que mar provéns

porque és pura e já foste maré

num trimestre

que o sol tinha o mundo

 

vem, porque te espera,

o meu corpo seco

de voz e de sangue, destoado

deambulando por esta ladeira acima

sem saber se hoje é domingo

 

vem, peço com acanho

porque quantas forem as vezes precisas,

juro que danço contigo

serás a musica orquestral

e eu o fogo de um tango

 

vem, e leva este vento

que me atiça ao desmazelo,

ao fugir de um dia começado

não te prometo um beijo

mas juro que danço para ti, chuva

 

 

Setúbal, 19 de Outubro de 2006

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