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versejos livres

versejos livres

19
Out07

...

Lino Costa

nem sempre foi assim

aquele ritual em cortejo

hipnotizado, pela rua a baixo

rumo a nada. Iam

 

sim sem saber, o quê,

a um cativeiro de luz

aviário, produzir, o quê

um feitiço, exorcização

 

e eu no meio

sem traquejo pra pregar

aos ouvidos moucos

entre o azo da destreza e tanta convicção

 

tudo, tão tudo.

displicentemente encaminhado

rectos à cidade. negra. com a alvorada

de um sol escondido, numa bruma maligna

 

do rio que paira mudo.

ao fundo da estrada,

que não se move nem grita.

e eu no meio

 

que fugia aos ecos

daquele deambular

rumo à planície do carrasco hirto

preso à terra p’lo sereno

 

e vou ficar

porque já o vi tão intocável

virgem e brando

distante da negrura de lisboa

19
Out07

...

Lino Costa

embati na manhã

com a violência absurda

e preso ao inverso

à brandura à levedura

 

sonhei contigo

mãe, com o teu sorriso

amplo e feito de plumas

contigo, com o teu rosto

e sem ti que estás longe

 

sonhei, com o teu canto

assobiado por um melro preto

enquanto era manhã negra

de um dia solarengo e feito por ti.

um dia, que dia, de dia…

 

um devaneio levitante

num sono profundo

cantado chilreado

de que acordei perdido

e não te vi, mãe

19
Out07

...

Lino Costa

pôs-se o sol

num dia gasto

na lonjura esbanjada

d’um horizonte inacessível

 

pôs-se o sol

e o dia morre no rio

na fotografia de canoas

afundadas no verde das margens

 

e pôs-se uma fria escuridão

naquilo que chamo de “eu”

ou em o que tenho por muito

e morri por hoje

 

na íngreme calçada do silêncio

numa extinção de beleza que não vejo

morreram os ecos da andança

e perdi dois nortes de um rumo

 

deixei de ter poema

que me salve no destino

e os teus olhos

que me guião pela ladeira fora

 

morri de fraco

como a maré obtusa de vazios

morri, desculpa morri

com o dia o rio e o sol que já não são

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