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versejos livres

versejos livres

28
Dez07

a quelha da ribeira

Lino Costa

este conceito de certeza

incerteza, medida da maré cheia

de medos e inconsequências,

o amor, que só vejo nela

lavada pelo vento à tarde

numa quelha aberta prá ribeira

à tarde que os grilos cantam

à sombra d’um sossego de oliveira

ela, a bela, a casta nuvem

que bebeu mais arriba na açude.

que a avisto daqui, deste monte

esquecido, desta treva d’amendoeiras

que embarriga a aldeia

e lá vai ela molhando os pés

buscar o rebanho, a pastora,

empenhando o bordão e um sorriso

derramando azul, pintado

ela, a nuvem, pastora

pra que vou, cordeiro

descendo o monte

até a tenra frescura da margem.

Levar-me-às quando chegar?

ao curral que guardas

sangra-me se quiseres…

e lá fica ela

ao fundo do beco

acima de mim, ela

28
Dez07

...silêncio...

Lino Costa

entre horas e horas

esvai-se o teu rosto

da minha lembrança entorpecida de névoa

nem me lembro do teu sorriso

à hora que me despertavas

 

ou do teu assobio

que o melro invejava

hipnotizado, na laranjeira.

Lonjura e mar revolto

Mãe, que nos separam, Mãe

 

 

Mãe, só te venho pedir mais uma coisa como sempre e nunca te dou nada em troca, tira-me esta sede de saudade intensa, sorri-me aqui de perto, pra mim.

28
Dez07

...

Lino Costa

com um sentimento

de certeza, cerrado no punho

senti-te uma chama

de tocha iluminante

numa noite em frente ao canavial

 

cheirávamos a areia quente

depois do casario adormecido

são quinze prá viragem

ainda não te beijei

só te quis ouvir entre o silêncio

 

inquietante, vibrante

vindo do mar ali de fronte

poderoso e infinito,

levava-te o vento, do peito quase nu,

a veste leve e púrpura

 

num Outono frio

beijei-te com pecado

à luz da fogueira dançante

entre o roçar da folhagem

e o pranto profundo das ondas

 

não me digas não

agarra-me outra vez

saboreia-me, na repetição de voltas e voltas

e faça-mos um laço apertado

com os nossos pétridos dedos

 

beija-me ouve a prece

dos meus olhos que choram uma secura

na noite lenta, fecha os teus

e vamos na vaga bamba

dizer que a vida é nossa

09
Dez07

um sonho sim seria

Lino Costa

amanhã seria dia, seria

pra te ver nua a vagar

na sapiência do céu a vagar

numa displicente passagem

 

amanhã seria o meu e o teu dia, seria

esvaído num infinito

de escrituras desconexas

presa a barbantes de marionetas

a nada, porque um vento apaga

às certezas do risco

 

amanhã, seria dia, seria

pra te tocar com desejo

entre as plumas de um bordel

numa cama vermelha cor de sangue

 

amanhã seria, um sonho, seria

lembrar-me de cada instante

com um poema de letras soltas

à deriva no teu rosto alucinado

enquanto passa a loucura

de uma noite passada no céu

03
Dez07

antes do fim da giranda

Lino Costa

 vou levar-te à giranda

antes do arraial

pelo meio-dia à porta da igreja

à chuva tímida de Setembro

 

beija-me. intensa como tu

diz-me de leve o teu tom

neste encanto. Teu príncipe

 

junto ao coreto azul

perto, tão de ti, nos

amanhãs. perto das crianças

do repique do sino

 

da tremura de nós. aqui

nada me diz que hoje não há fim

de mim ou de ti, sim, um fim

afinal somos dois

 

vamos à giranda

aos aromas da charola

já te beijei, abracei

 

vamos andando pela vereda fora

que anoitece, com ternura

e quero tanto te amar

ao distante da festa que acaba

03
Dez07

amanhã

Lino Costa

perante o teu rosto

que se esvai brando e profundo

medito, com o mais belo

junto da noite que não me leva

 

numa intima oração

que amanhã te soará

ao despertar, à hora

que sorrires e me despertes

 

à hora que o dia passa

a ter luz, com os teus olhos,

pelo olival pendido e reluzente.

ouve a minha oração

03
Dez07

curta metragem

Lino Costa

rasgava-se o céu
entre o espaldar dos deuses
numa noite negra, fria
abria-se a estrada
pra passar o cortejo
o astro maioral
preso a um cabresto
da bonança, da renascença
acontecer, num infinito de destinos
vem ser a certeza, nos tempos, de tempo. tempo

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