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versejos livres

versejos livres

27
Fev09

...

Lino Costa

a pálpebra

enegreceu-te a visão
e a boca
abriu-se em milímetros
encarnada de sangue
tudo se fluía
acontecia na serenidade da noite
e viviam os grilos
uivavam os cães sozinhos
com rostos pró céu
depois da meia noite indecente
e transpiravas um ilusionismos gestual
fervias na pele
as inclemências de um pecado
que impensado te enfeitiça…
nem te beijei ou toquei
só o derramamento dos olhos nos roça
contra a luz fraca
as sombras são películas
e lá fora gela-se impávida a rua
antes da tão ansiada explosão dos cheiros
antes de ir com as mãos a ti…
27
Fev09

...

Lino Costa

ao sair

senti tão forte este frio
de uma brisa de venenos
que me envolvia como fitas de cetim
levadas por um canavial de secura
 
ao sair que era manhã
eram horas do sol nascente
contra o ir tardio da lua
mas tinha-me esse gelo
essa mão que me prendia no fundo
 
ao sair percebeste-me o deixar
dessa ultima vez à porta
dos fins dos princípios
dos regalos dessa dor castrante
a pedir que tudo não fosse mais retorno
27
Fev09

...

Lino Costa

bebi a brisa

pela manhã que me chamava
e parti ao nada
com destino à hora do sol posto
 
soltei a amarra molhada
e ouvi no perto da presença
uma rebentação de força bruta
as ondas o explodir da espuma
nas areias d’além
 
sem saber tinha os pés
absolutos na incerteza
mas parti aos bandos dizentes
do meu sustento sempre igual
 
a rede descosida memorias feridas
estendida no horizonte de uma noite
no meio de uma mentira na divisão do concretismo divisível
antes da alma depois da carne
entre as prosas de batalhas de histórias
 
memória um silêncio de voo de gaivota
nos perfumes deste mar
onde acontece o acontecer
de uma lua de um sol
27
Fev09

...

Lino Costa

discórdias são teus beijos

contra um senso de miséria
dançavel da triste tristeza
em todas faces de um quartzo
deslapidado pelo chão barrento
da infelicidade das nossas vidas
 
nada nos permite o erro
nesta falta de faltas faltosas
que nos abala na noite do silêncio
contra corações que morrem
por fracas fraquezas do absoluto
do viver desconcertante do tempo
 
porque se vive por viver o viver
sem objecto nem rectas temporais
temos sido um destempero descomunal
pela ausência dos descontentes
pelos gritos gritados do grito mudo
antes do demarcar de fronteiras
27
Fev09

...

Lino Costa

eu sabia

que no desejo escondido de um breu
como uma noite densa e vazia
que não me deixavas desistir
dessa imensidão tão intensa e infinita
 
que os nossos beijos não teriam fim
e o gostar deixaria de ser uma duvida
no nosso rio que corre para o mar
num fazer de mares mansas
 
durante as arvores nuas
ao som dos violinos sozinhos
entre cadeiras vazias
e os aromas da tua pele
num chamamento à razão do amor
27
Fev09

...

Lino Costa

fui beijar

a certeza do nosso amor
à instancia do limite
que me desafia fronteiras
de perigos desfeitos na agua espessa
que queima as memórias
lentamente se a bebo
 
nada fazes no contraste
assistes de longe a este vazio
a querer o termo do instante
como crédula no olhar
mas presa nos passos
presencias a essa morte de nós
com sete frases multiplicadas
 
como se a acta
estivesse escrita com palavras erradas
que não rasgaste nem a choraste
para além do desafio da armadilha
que numa ilusão me teria ido
a razar quase a perda ti
e nunca mais visse o meu regresso
27
Fev09

...

Lino Costa

nascido num fim

de beira inteira
outro homem consegue mundo
entre a feroz partilha que é viver
 
entre a matilha abandonada
dos cães do insucesso
 
pelos todos devolutos de Lisboa
cidade sombra dos corpos parados
e da morte com rasgos de dores cegas
nos homens fracos com os espíritos condenados
 
malditas raças
esses tratadores esses donos
 
pelas riquíssimas herdades na avenida da liberdade
num destrato de galgos escanzelados
e matanças com rafeiros rafeiros
enquanto se matam ninhadas inteiras
 
nos jardins sozinhos do campo grande
e o cheiro nauseabundo espalhado pelos céus
27
Fev09

...

Lino Costa

nunca nem por desvario

me consenti em pensamento
à fatalidade de te levar a tempestade
sem que fosse por uma delicadeza de um sol seguinte
 
nem me assumas errante
nem tenhas mental essa incumbência
sou muito mais que irremediável
insucesso da regressão
 
a ti afago como um regaço
nascente de agua virgem
escorrida entre os meus dedos
numa certeza que te quero beber
27
Fev09

...

Lino Costa

singela uma cidade

na janela na ombreira
com terreiro até jusante
apertada pela vida
ate um cais tão branco ainda
vista das arcadas famosas
apertada sem verdade
 
cidade igualdade
por metade com finda
castidade por uma antiga
saudade que me dizem
velhos nos seus olhos
 
cidade parada desamada
contrariedade dos postais
veracidade escondida em portais
cidade castrada nos umbrais
vaidade em fado vadio
cidade de cara lavada ainda
27
Fev09

...

Lino Costa

secretos silêncios

os teus olhos dizentes
estrelas de um céu
então sozinho contigo
numa noite de regalos que não te adormeciam
 
sentia-os num ferimento
escorridos pela escuridão
na busca do impulso de um beijo
sorris silêncio muito silêncio
vão cadentes ao sinal
da foz que te dou
 
no confronto da interrogação
pendida dos picos da lua
e o embate acontece a luz acontece
com o choro feliz dos grilos cantantes
no arvoredo que dança
com sombras contraditas
 
feita a felicidade feitas as salivas
navegou a noite para sul
num dizer de poemas escritos
sempre sempre num silêncio
porque fomos ao durante do sonho
e acordamos lavados pelo sol no rosto

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