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versejos livres

versejos livres

29
Fev12

Grito

Lino Costa

Silêncio!
  Do silêncio faço um grito
  O corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco.

De sombra a sombra
  Há um Céu...tão recolhido...
  De sombra a sombra
  Já lhe perdi o sentido.

Ao céu!
  Aqui me falta a luz
  Aqui me falta uma estrela
  Chora-se mais
  Quando se vive atrás dela.

E eu,
  A quem o céu esqueceu
  Sou a que o mundo perdeu
  Só choro agora
  Que quem morre já não chora.

Solidão!
  Que nem mesmo essa é inteira...
  Há sempre uma companheira
  Uma profunda amargura.

Ai, solidão
  Quem fora escorpião
  Ai! solidão
  E se mordera a cabeça!

Adeus
  Já fui para além da vida
  Do que já fui tenho sede
  Sou sombra triste
  Encostada a uma parede.

Adeus,
  Vida que tanto duras
  Vem morte que tanto tardas
  Ai, como dói
  A solidão quase loucura.

 

de: Amalia Rodrigues

23
Fev12

teu nome de pia

Lino Costa

benzida Maria

por aquele homem que não vinha

na noite devassa que vinha

rezava a morena Maria,

 

lá ia Maria

presa à romaria do pensamento entre a murta

a gemer um sol-e-dó do seu pranto

Maria, tão doce Maria,

 

que não te admite esse breu

nem a voz te dará pregão

só Talida na roda da dança

quando o profundo te chama

 

lá vai Maria a subir
cansada a escadaria

no anseio do murmúrio da concertina

que beija os recantos ao vento

 

de novena cantada, Maria

sobe Maria, vem devagar

teu homem há-de chegar

assim que a noite à madrugada se deixar

20
Fev12

um perfeito pretérito

Lino Costa

lembrei-me

que entre palmas e cantorias

 o vento e maresia

o quanto gostavas

da voz que te trazia tempo

 

assumidamente do tempo, improvisar

no como de envelhecer uma cumeeira

e no amadurecer do vinho como de vozes

ou no crescer tenro das estacas plantadas

 

e resumir o resto das letras

a pétalas arrancadas

a uma canção longa de amor

num papel comprido como trinta anos

e a musica faço eu uma parte

 

como farão os restantes outros ditos de ti

com a melodia perfeita à tua voz

e a certeza que não vais deixar de cantarolar

como fazias entre um fôlego e um maduro

10
Fev12

a companhia de teatro apresenta... raíz quadrada de nada

Lino Costa

assim que me bate

a força do que não ouço

sinto-me em plena extinção

o medo do barulho entre as luzes

atinge um expoente

e assim de forma infinita que chova

para que chorem os vidros

e se calem as luzes entre o mundo e os restos de vida

 

tudo pelo mais miserável

ou o menos miserável

assim nasce uma falta

a recalculada de amor próprio

que de cinismo não tem nada

apenas o mundo empobrece

e a certeza de outro dia

vai-se com o banal da chuva que não pára

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