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versejos livres

versejos livres

28
Jan13

por dentro de mim

Lino Costa

                      por dentro de mim

 

depois de lidos

os meus medos e de tidos

todos os segredos

pelos tantos infinitos do tempo,

 

ergue-se um desassossego

que rejubila entre o escárnio

e um sobressalto que se assoma

numa ira que me rouba

a quentura escassa do sangue atulhado

a bravura, o meu rubor à pele,

 

que trago em falta

pra que eu seja a coragem na luta,

longe deste pavor imenso que me inunda

como sangue que se derrama

como a mão que teme um juízo e a castidade,

dentro desta minha alma mascarada

 

 

Algodres, 28 de Janeiro de 2013

Ricardo Castro Alves

 
 
 
 
 
17
Jan13

a raiva que me ficou

Lino Costa

rasante a asa negra

trouxe pelos jeitos a andorinha

durante o inverno e a contradição

rasante a mensagem

num talho de foice

com uma intromissão imensurável

de quem clemente não é

 

rasante foi tal o segar

que previ a terra molhada

no rosto e caí num crer

rasante rasa e pouca

a tua voz acabou

como a fonte onde a andorinha bebeu

secou cansada de correr

cansada quis morrer

 

rasante trouxe-me a asa

esse pássaro negro

que tenho no ódio

e ao rasar de tudo o que me é sabido e pouco

não esta historia indefinível

arrasou a safra de tempo que não colhi

o rasante, o restante tempo cão

que me lambe agora as feridas e me contamina de raiva

a puta da seiva que me rasa a pele

16
Jan13

o tamanho do fim

Lino Costa

 

 

  

 

 

gelam os minutos

e a incerteza de estar

de ficar, entre o ter e o medo

do castelo de cartas

com molduras de um doce

perfumes de açucena

e uma voz terna por cerne

num principio e num fim

 

é o tempo que desdém

que imprime este desbaste

interrompe a linha uma e outra vez

entre o meu peito constelado

de pêsames perdas partidas e infinito

 

mas quando me abranjo

sinto o meu sentir do sentimento

o nutrido com uma tal ternura

aquele que quase me lembro, de sempre

que redime esta gravidade a qualquer coisa neutra

como a clausura de um pesadelo

que se interrompe pelo vencedor da controvérsia

08
Jan13

versejos livres

Lino Costa

sou o meu verso

o escorrer insistente dos poemas

teoremas fantasias dos amores

 

sou amarra

sou a folha e a rasura

a mácula que esmorece tantas quadras

 

sou o insistente sou controverso

a epopeia do amor contradito

na voz platónica de quem o sente

o fervor que o mede na escala do sentimento

e o olhar que venera a tua fronte

 

a tinta que acaba

sou eu, o desassossego de acabar

o poema mutilado, é meu

 

quero ser o esboço

do meio e do fim

e ser poente poema de ti

04
Jan13

Fado - Tentação (Dueto com Jessica Neves)

Lino Costa

 

Rasga-se o ar

Que a custo respiro,

Pela asa que foge

Para a luz que fulge e queres ir

Para que se dividam os nossos corpos

E a unicidade se fique

No disperso de um pecado que nos terá

Vais caminhar

Fazer dessa espera por ti

Um imensurável desespero

Entre a nostalgia e a revolta

Pelos teus cabelos que não vou reclamar

Ou do teu respirar abrandado p’la tua formosura…

Mas poucas serão as minhas palavras, não vás

 

 

Seremos sempre pecado agridoce

Tu sabes que os nossos lábios se pertencem

Quisera eu ter-te na minha posse…

Neste fado-tentação

Há uma canção

Dentro de nós, que chora e diz que nossos corpos se merecem

Nesta roda-viva de carne fervida

No ponto mais alto do desejo

Beijo a beijo…é nesse intervalo que (re)pousa a vida…

02
Jan13

ser assim, quase de alguém

Lino Costa

sou desse mar

do que faz o teu coração ser enorme,

e das tuas mãos ternas

que me baloiçam este sentimento

…és quase, o meu mor, maior, amor

 

meu gume gelado

que me trazes sempre da transe

como quando vagueio

pela nudez alva do teu peito

como quando me perco

na fundura da minha própria alma

 

com esse sorriso

sempre a empenhar retido à bainha de ti

pra que não seja eu periclitante

e mantenha as palavras da poesia

entre o amor que crepita e o pulsar de ti

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