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versejos livres

versejos livres

20
Jul13

(dor)rendada

Lino Costa

abraço, de espaço, vazio

contemplas-me o ardor desmesurado

quando me sobes como hera

pelo dorso que grita cansaço

 

esse pranto único,

que numa pendência, entre forte e fraco

existe como carne, e corpo que sente

que vive por vezes sem palavra

 

sem movimento que ocorra

corpo, pensar imóvel em chama,

pela rigidez absorvido

com os passos quase cimentados

 

na trama, coisa tecida

enleio e acto

a que se deu, pra cessação e por instante

ao respirar no sonho, a dor que pensou já não ter

 

 

Lisboa, 20 de Julho de 2013

13
Jul13

janeiro, sempre e ainda

Lino Costa

Lisboa, 12 de Julho de 2013

 

 

são sagas, as ausências

existem sempre no caminho

como ladrilhar de memórias

que absorvem tantos instantes

 

tenho-te sentido as palavras

do sensato, das coisas simples, sábias

que em nada me são consolação

são assolação das horas

mágoas, que não esqueço

rezas que me cansei de ter

são mescla de crença, esquecimento

raiva, ternura, estremecer

uma forma madura...

cansaço e minha negrura

coisa recta, letal, ceifa

poeira de eira, perdida

 

feroz nos olhos

estou capaz de sovelar

sou capaz de ser sem pensar

porque não acontece o regresso

aceito que me vou também

até ao caminho fundo, até ti

à mistura do querer do não querer

a esta madrasta fuga de não dizer

não proferir palavras

escondê-las no sorriso

 

e páro, páro

nos beirais dos olhos

na vertigem da aceitação

do preceito, páro no teu rasto

 

 

Lino Costa

In: Versejos Livres

08
Jul13

...sem titulo

Lino Costa

Lisboa, 07 de Julho de 2013

 

 

sibila a cigarra

com o riso estridente

e a piçarra estala

num esmero de cansaço

emana um cheiro seco de semente

 

de dentro da minha mente

de tempo lento este, áspero,

feito da punição por nada

quando já se calaram as horas

e o silêncio é um desvario

que sufoca o feitiço

 

mas algo me calou

…se a espera, se o desistir, se eu…

e vazia me soou a boca

quando nem em sabor existia

o espaço onde não estavas

 

Lino Costa

In: Versejos Livres

05
Jul13

sonho tempestade

Lino Costa

Lisboa, 04 de Julho de 2013

 

acordei agora

cede-me a cama

à noite, ao pesar lento de tempo, quente

à estopa esquecida à mão que a teou

 

ainda me cede, o verso,

a um resto dormente de saudade

diluída em não te esquecer

porque pereceste

sem que te consentisse?

 

que ainda me cedes, medo,

ao deambular dos pensamentos

do homem, que dista, que é longe

do desvario, dos  (des)acordes de violino

com jeitos de nada, como a morte,

que te ceifou intensa,

como neste abafado escuro

que me corre pela pele

antes, de me ser fel

pela boca toda

 

ainda me cedes, passar,

mais versos,

mais restos, mais murmúrios de terços

mais outros pedaços de mim

de carne castigada

quando me sinto antro, sou vazio

dentro do cilício penitente…

porque te foste?

 

Lino Costa

In: Versejos Livres

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