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versejos livres

versejos livres

28
Ago13

suspiros

Lino Costa

são “ais”

os que suspiro, são esmero

são fendas pela carne rasgada

quando te imagino perdida,

dentro do meu tempo

que não será mais meu,

 

senti-te a jura

no cheiro da pele

sempre que me deste o ventre

e as mãos ao saber da boca

antes que me lembrasse

de ser “aí”, num dos silêncios

 

nos momentos acesos

de mim de agora, por dentro

da esfera que sou,

diante da promessa sentida

longe de ser aventura

a ser além da mais terna ternura

 

 

Lisboa, 28 de Agosto de 2013

 

19
Ago13

mirante

Lino Costa

recantos, teus  fonte

broto, alqueire e alquimia

fio trapezista, paixão

que és a filha mais rubra do meu tempo

e cantareira dos meus suspiros

valsa, doce pensamento

 

rubra, que me fazes o verso ser morte à sede

que me inflamas o peito

sem fel nem sentir saudade

de “amor perfeito”

com que me encegueiras o conceito

sem saber de que tamanho se faz o longe,

 

o renascer

d’um momento, d’um desejo…

nem começo à estrofe… amor, será?

sou somente eu

a infusão que te existe no sentimento

 

no teu traço lento de boca

no princípio de te esculpir o rosto

como cinzel em ti embebido, com beijos mudos

e ter-te distante de um  precipício

e no laço profundo da noite que te tomou

 

 

Castelaria, 15 de Agosto de 2013

19
Ago13

pitadas de rancor

Lino Costa

versos alçados

teus, a ferir um luzir

castanhos, doces, quentes

um Alentejo inteiro

de severa em canção

que me és embalo

com que me aqueces

quando não tenho palavras

porque me lês as linhas

e alcanças o azul do pensar

que te dou sempre

 

 

Castelaria, 19 de Agosto de 2013

19
Ago13

sentidos (I)

Lino Costa

versos alçados

teus, a ferir um luzir

castanhos, doces, quentes

um Alentejo inteiro

de severa em canção

que me és embalo

com que me aqueces

quando não tenho palavras

porque me lês as linhas

e alcanças o azul do pensar

que te dou sempre

 

 

Castelaria, 19 de Agosto de 2013

19
Ago13

sentidos

Lino Costa

 

tintos, teus cabelos

são ondas do meu mar

rasgado, de triunfante

de histórias d’odisseias

sem afronta

de sentidos salgados

 

 

Castelaria, 19 de Agosto de 2013

06
Ago13

full of empty, box

Lino Costa

Lisboa, 06 de Agosto de 2013

 

irrompe-me alma a dentro

como cinzel,

o caminho feito, o traço de cheiro

d’alvorada de silêncio

e do galo não canta

 

o vazio que se instala

sinto ser a loucura,

o poema que não acabo

sinto ser, o processo do ir

que se limitou a isso, a ir

sem promessa, nem palavra

a puta da despedida que odeio

 

fica este desespero

esta lambança de coisas contidas

o respirar desesperado

de não ter levante que te traga

nem brisa que te guarde

 

ficou apenas o ombro cavado,

o dormir da mulher sozinha

naquele fundo raso de nada

ludibrio das noites e das esperanças, das horas

como sereias que encantam

pra crença de “nothing box”

como se me lembrasse seres bem precioso

 

há quem viva de tudo

o artificio, o quase nada do que quero

só peço o conceder de segundos

antes do acenar, antes do balbuciar

coisas que nem sei, mas quero saber

 

 

Lino Costa

In: Versejos Livres

03
Ago13

...

Lino Costa

Lisboa, 02 de Agosto de 2013

 

 

são pombas mansas

que libertas nas palavras

da tua boca doce, leito desmedido

de amor, história primorosa

com que me saras as lascas da alma

 

e ateias este cio aceso

pelo ribeiro dos lençóis

que te choram, a lonjura

num dialeto de saudade não contida

que guardo com guarida ao peito

 

trouxe-te o sorriso

em magia num pó

e solto no vento da memória

por estas paredes gastas,

poeiras tuas, que aliviam a secura

 

a noite é este desgosto

d’um tempo que não passa

a noite, é esta voz que aparece e esmaece

na névoa do pensamento, é fartura d’uma falta,

viela perdida a que o canto não chega

 

…são pombas mansas

em meu fado traçado

na dobra dos nossos segredos

entre a soltura e este desgosto

que tanto me soou, as tuas palavras

 

 

Lino Costa

In: Versejos Livres

02
Ago13

trova do menino ledo

Lino Costa

Lisboa, 02 de Agosto de 2013



mesmo p´la noite

dormido sereno, em brandura

fazia uma trova tão bela

no seu ledo respirar

que me era um encanto, um inebrio

 

com o sonho pela mão

brotava mais uma flor de esperança

embalada p’lo anjo

pelo firmamento dos olhos da estrela

até que a faça ser, ser Dia

 

de revolta solta

tento de Homem Novo

o que não fui,

eu que adormeci entre o desejo e a ansia

mas não desista o Menino, seja Homem e Maior

 

 

Lino Costa

In: Versejos Livres

01
Ago13

ventos guardas d'anelos

Lino Costa

Lisboa, 29 de Julho de 2013

dou ao vento
as cartas de amor
começadas i'nacabadas, na ideia,
quando não as escrevo
durante o infinito dos vazios de ti
nos meus braços, áridos,
secura que me toma
como perda frondosa

que não respiro
não vivo no peito, ou na chama
sinto o ermo que se impõe
se não aclamo sentidos
e contenho o anelo
pelos olhos teus,
teus sim, conjuntos siderais
que derramam luz

um brilho que não esmaece
assim, como candeia acesa
por dentro das veias do sentimento
o que sei haver, tanto, em mim,
daquele sem medida sem tempo
vida, pequeno momento,
com que me confesso sem palavras
à tua pele, apenas no abraço

Lino Costa
in: Versejos Livres

01
Ago13

...

Lino Costa

Lisboa, 01 de Agosto de 2013

 

faço da espera

tempo e sufoco

com que morro lento

como’ orvalho escorrido

nos juncos da margem do teu peito

da tua palavra, estro

que prendes tanto a amarra do meu desistir

com a embriaguez de unguentos da ternura

a mim que te enalteço

e não te tolero a falta

mesmo tácito e sem fulgor

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