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versejos livres

versejos livres

30
Out13

só se mereça

Lino Costa

cada hora

que me esgaça a alma

prende-me a descrer

a esta casa de ninguém

e rendo-me à noite

que me absorve,

os rios do rosto

e os males do que tanto quis

do que tanto não sabia

do que não tive

dessa omnipresença

que era prumo da espera

e segredo de porão

que tinha fim dos pensamentos

máculos, dos meus, os indeléveis

que me afrontam e assolam

as pitadas todas do sossego

vertidas, no pouco que resta de mim,

escuta… ouve…

como bate o desespero do mar

nos pés do pináculo

e concede-me outro começo

permite-me mais um pouco de alma

 

 

Lisboa, 30 de Outubro de 2013

Lino Costa

In: Versejos Livres

28
Out13

mais do que te amar

Lino Costa

mais do que te amar

guardo-te monumental

dentro da certeza do meu destino

que renasce, sempre

que te sinto, encastre, na alma

e me elevas o sentido

de te manter quase intacta

na maior brandura

que todo o nosso tempo tem,

junto do pináculo mais gótico,

da cumeeira, que nos abrange…

mesmo à distância

dentro da folha que riscamos,

a telepatia inevitável de nós

faz-nos envoltos e levedos

nas cruzadas do caminho

que se define u querer de crer

porque somos maiores dentro tempo,

cada vez mais

 

 

Lisboa, 28 de outubro de 2013

In: Versejos Livres

Lino Costa

20
Out13

parcelas de ti no silêncio

Lino Costa

rasgo os papeis

onde se escreve sozinho

o silêncio

nas fissuras da tua ausência

nos “sim” quem insistem

sem renúncias,

a que este murmúrio

da tinta escorrida, poema,

se acabe

e comece o resto do destino

onde existam como o tempo

parcelas inteiras de ti

constante, breve, incessante

em todos os momentos

e não mais me pergunte

a que sabe, silêncio, este momento

 

 

Lisboa, 20 de Outubro de 2013

 

Lino Costa

In: Versejos Livres

18
Out13

Aniversário "Versejos Livres"

Lino Costa

Bom Dia,

 

Todos os anos me manifesto em forma de agradecimento aos leitores, uns mais assíduos do que outros. Mas este ano vou manifestar-me de forma claro e concisa, a todos, mas em especial aos mais próximos, aos amigos, aos companheiros, e aos confidentes.

 

Muito obrigado.

 

A poesia, tornou-se uma forma de vida, de estar, há já muitos anos e tenho falado disso nestes últimos dias com algumas pessoas que acabam por perceber o que digo e como o digo, parece psicossomático mas não é!

A forma de expressão, seja ela cifrada ou não, direta ou não, metafórica como quase sempre, aliás, tornam-se meras características, que levam a uma dedicatória, ou a um manifesto inevitável, mas a mensagem passo-a sempre, e levo na direção que pretendo, sempre.

 

Redundâncias, forças de expressão… a poesia, transmite-se essencialmente de forma emocional, até de mim para mim, acabo a maioria dos poemas, com o sabor da adrenalina, do saciar de um vicio na boca, aquele poder estúpido do primeiro cigarro do dia, (quem sabe, sabe, quem não sabe, a este respeito que morra ignorante), o alivio de dizer, de não guardar, de expor e de não colocar na “gaveta”, como quase todos os meus poemas, deixa-me num sossego desassossegado. Não fosse “poeta”, assim me chamam às vezes, e procurasse o idealismo e a perfeição das coisas que sigo em “doutrina”, que penso e que escrevo, por isso sou insatisfeito por natureza, mas como escritor, e como Homem. Na maioria das vezes desisto da perfeição, mas mantenho a intenção do aperfeiçoamento, se encontrar a perfeição serei quase alquimista, e muito honestamente, aí desisto! Da poesia e por conseguinte de tudo.

 

Passaram sete anos. Sete! Um projeto pessoal que fundamentei e já tentei de um tudo para faze-lo desaparecer.

Mas alguma coisa me faz sempre acreditar que vale muito a pena mantê-lo.

 

Tenho feito deste mural, uma retrato do Homem que sou, como poeta ou Homem, dos comuns, porque sou, e gosto de ser, manifestei, aqui tantas alegrias minhas, tantos dissabores daqueles que não lembram ao fel, e finalmente aqui cresci tanto. As palavras de alento e tentativas de desmoronamento que se foram esbatendo, tornaram-me muito mais forte e consistente, na forma e no “fumo”.

 

Passaram sete anos, sete anos!

 

A todos um especial obrigado e deixo, um dos primeiros posts no blog no já longínquo Outubro de 2006, “Homem do Triunfo”, uma homenagem para os dias de hoje e uma dedicatória de sempre.

 

 

 

Homem do Triunfo

 Para lá do horizonte

Em terras de pesca e maresia,

Pairas tu Homem, senhor do teu lar. 

Que és por hora detentor da fadiga constante,

Dedicas-te ao ofício,

Ergues-te, ainda o galo canta rouco, 

Descansa ó velho do trabalho carrasco. 

Larga as redes na prensa da canoa,

Vai por onde leva o mar,

Pelas ondas, triunfante,

Olhando a espuma fresca,

Vê como é belo o contorno dos montes.

Quando pensares na laçada que te atraca ao caís, 

Rema firme de encontro ao murmúrio, 

Sem medo da correria, 

Pois o mar deu-te o encanto de levitar na hora da dor.

 

Obrigado,

 

Lino Costa

 

Lisboa, 18 de Outubro de 2013

16
Out13

cifra

Lino Costa
de não sei quê
atinges, tempo,
que chamo tu
castras-me o meio
o cerne, contido que tinha
declamado, no breve
de dois tão falsos minutos
que perecem nas horas longas

torturas, vezes que me extasiam
com marcas gastas, ínfimas,
a carne adormecida
onde vive uma dor
riscada, o destino
dentro do que trago de mim
que nem o poema domina
essa cifra, que o mundo assiste
sem saber


Lisboa, 16 de Outubro de 2013
Lino Costa
In: Versejos Livres
14
Out13

ser, de novo

Lino Costa

de manhã

prendi-te no fosso

dos meus olhos alagados

quando senti

que não estava a tua pele

no frio dos lençóis

do resto ermo da cama

chorosa d’um ciúme descabido

 

de manhã

escrevi-te como palavra

única,

assim que não me murmuraste

ao ouvido, meia doçura que fosse,

 

de manhã

deixei de ser, eu,

ser de novo

 

 

Lisboa, 14 de Outubro de 2013

Lino Costa

In: Versejos Livres

13
Out13

além de mim, além de mil

Lino Costa

no silêncio de que fazia a espera caia-me uma crença de fins um jorro de desistência de tanto com que se fiavam os meus dias, tantos, de nada bastos, de virações de desnorte, hoje, recrio-me nesse esmero de devoto de coisas e de olhos que pensei esquecer-me e estavam ainda aqui a correr-me na comoção das veias ainda, aqui! Lisboa, 13 de Outubro de 2013 Lino Costa in: Versejos Livres

03
Out13

Vãos

Lino Costa
vãos?
vão, são os teus sentimentos,
cada vez que me levas as palavras
depois de cada tormenta
em que me inundas
a réstea de esperança
e castras impiedosa
sonhos pequenos, mundos inteiros

vãos, os dilemas as cifras
com que falam os teus olhos
repletos de letras misturadas
e prantos de indesejado
como se fosses nada
mesmo atrás dessa cara crespa
vãos? eu ou tu?

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