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versejos livres

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25
Jan16

o crescer da noite

Lino Costa

o crescer da noite

 

sinto-te o morno do ventre
quando te aproximas no breu

 

e os teus beijos
interrompem como canto
o gemer das trevas

 

encasulamos os corpos
e olvidamos a loucura do mundo

 

pra que se encastrem os verbos
nas mais cavernosas terminações
dos tempos, pra que o gerúndio perdure

em todos os minutos da noite
e todas as asas de nós

Lisboa, 25 de Janeiro de 2015

Lino Costa
In: Versejos Livres

21
Jan16

O Fado das Horas

Lino Costa

Fado das Horas (de Antonio Jose de Bragança)

 

“Chorava por te não ver

Por te ver eu choro agora

Chorava por te não ver

Por te ver eu choro agora

Mas choro só por querer, querer ver-te a toda a hora

Mas choro só por querer, querer ver-te a toda a hora

 

Passa o tempo de corrida

Quando falas eu te escuto

Passa o tempo de corrida

Quando falas eu te escuto

Nas horas da nossa vida, cada hora é um minuto

Nas horas da nossa vida, cada hora é um minuto

 

Quando estás ao pé de mim

Sinto-me dona do Mundo

Quando estás ao pé de mim

Sinto-me dona do Mundo

Mas o tempo é tão ruim, tem cada hora um segundo

Mas o tempo é tão ruim, tem cada hora um segundo

 

                

Deixa-te estar a meu lado

E não mais te vás embora

Deixa-te estar a meu lado

E não mais te vás embora

Pra o meu coração, coitado, viver na vida uma hora      

Pra o meu coração, coitado, viver na vida uma hora”

 

 

 

Interpretado essencialmente por Maria Teresa de Noronha, o meu tributo de hoje vai para o Fado das Horas. Ainda hoje gera emoções com o poema com que se guarnece.

 

Recentemente numa homenagem a Carlos Saura, Carminho, uma fadista da nova corrente de fado contemporâneo, interpreta breves excertos do poema.

 

António José de Bragança, foi um poeta popular e devoto ao fado, mas sem a expressão de outros poetas e interpretes. O “Fado das Horas” enaltece este nome no seio do mundo infinito do Fado de Lisboa.

 

O “Fado das Horas”, cantado por Maria Teresa de Noronha e com Letra de Antonio Jose de Bragança – Musica de Conde Sabrosa, diz a hitória marido de D. Maria Teresa de Noronha.

 

 

20
Jan16

Olhos Estranhos

Lino Costa

Foi tantas vezes entoado pelos mais diversos interpretes, mas foi no fado, que "Olhos Estranhos" de Domingos Gonçalves Costa, teve uma maior expressão, este poema de um amor platônico, e desmedido... retém a grandeza de muita da poesia dos anos medianos do século XX, onde tudo o que rondasse o amor e as lindas historias de amor, próprias da altura.

 

Ana Sofia Varela, Marco Rodrigues, Pedro Moutinho e muitos outros, intensificam o poema com os acordes fadistas pelas ruas de Alfama e de a Lisboa.

 

Olhos Estranhos

 

"Os teus olhos são dos tais
Que só se encontram uma vez
Deus fez os teus não fez mais
Por ver o perigo que fez

Têm a cor do ciúme
Tão estranhamente anilada
Lindos como a madrugada
Etéreos como o perfume

Suaves como queixume
Da onda que se desfez
Levada pelas marés
E à praia não volta mais
Os teus olhos são dos tais
Que só se encontram uma vez

Mas vê-los a vez primeira
É ver a luz meiga e crua
Da lua quando flutua
No azul do céu altaneira
Teus olhos trazem cegueira
De amor e de embriaguez

Será por isso talvez
Que ao sabê-los tão fatais
Deus fez os teus não fez mais
Por ver o perigo que fez"

 

Domingos Gonçalves Costa

 

 

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