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versejos livres

versejos livres

12
Fev18

este mundo do todo na mão

Lino Costa

e nada, ou mesmo quando nada

me desenhe um abraço teu

nem que seja por sossego

descanso à memória,

se me chega o teu cheiro

o meu pequeno ilhéu e mundo,

pára,

com a certeza do que me vales,

para que ordene que o tempo pare

por mais um pouco de ti, vinda no vento

o mar traz-te nua

 

e é em mim que deixas a amarra

e a alma, como se fosses perfume de açucena,

tu que nem vieste, tu que nem vi

tu, que eu apenas senti chegar,

a todos os pedaços do que te queria dizer,

a meio do nada com que faço o meu mundo,

só os versos soltos ao tempo

tu, meu acertado amor, a quem nunca pus

um pequeno… um mais pequeno porquê

seja abril então, e seja este

uma parte do mundo de ti



Lisboa, 13 de Fevereiro de 2018

Lino Costa

Um Verde nos Livres



23
Jan18

Um Pequeno Verso, Poema de Ti

Lino Costa

se eu fosse um verso

quereria estar-te na memória

pra que nunca o escrevesses

seria tão só, teu...

grande ou pequeno, na tua fantasia

seria o Homem que sonhaste na vida

derramado num beijo, pela tua boca toda

ou tatuado na tua pele… sempre teu, entendes?

se eu fosse, esse verso

os dias poderiam ser contados

como uma história

quem sabe até,

seria suficiente pra me resumires a poema

de uma linha só

sem merdas, aquelas da métrica...

dito tão cru que estaria nu

como quase sempre,

tão cru que aos poucos

um desejo que te levaria a quereres-me inteiro

para ti chega-me ser esse verso

pequeno poema



Lisboa, 23 de Janeiro de 2018

Lino Costa

In: Versejos Livres

29
Nov17

a espera

Lino Costa

faz-se na boca a sede

se na margem de Ti

me sinta pedaço de nada

entre os versos que escrevo

 

tal como no tempo,

o poema é quase nada

e as horas são dor,

se no ribeiro,

não Vens, água fresca

pra que te beba dos beijos

o sossego à prece

 

amanhã serás outra miragem

nos castos e densos minutos

e não terei quadras

pra riscar na espera



Lisboa, 28 de Novembro de 2017

Lino Costa

In: Versejos Livres

 

10
Nov17

frente a frente

Lino Costa

pela forma de ciência

saberei vez alguma

quem me amou

com uma verdade matemática

e exacta

 

mas o que leio

na simetria de um olhar, impõe-se

tão só, como maior que uma precisão

de linha invisível que une constelações,

mesmo as mais belas

 

o tempo tutoria essa virtude

como se fosse endoscópios

e poucos são os equívocos...

as raras vezes que uma orquídea floresce

sei se será vítima da formiga

 

amar é tão genuíno como ser

é ser-se sem merdas

e dizer-se o que fere e ferir

sem retorno ou esperar melhor

amar deve ser nobreza, e uma verdade maioral

 

não é moeda

é a audácia de cumprir o bem

e fazer cheio o ser que de nós o consome

e amar, de mim tem o ser que quiser

se genuíno for, se genuino for



Lisboa, 09 de Novembro de 2017

Lino Costa

In: versejos livres

29
Set17

o nosso resumo

Lino Costa

pela evidência,

denuncio-me no sentimento

quando te acolho à soleira de mim,

e aconchegaste ao morno pôr-do-sol,

que derramo dos olhos, porque chegaste, candura,

de todos os momento que existo

 

Lisboa, 29 de Setembro de 2017

Lino Costa

In: Versejos Livres

21
Set17

tic-tac no limbo

Lino Costa

já sinto em pedaços de mim

que há algo, porque o tempo não espera,

e o dossel que me protegia os sonhos

age na loucura d’uma ventania psicótica

e há este lado novo, por descodificar,

 

há coisas de mim que deixarei ir

perguntas desprendidas,

utopias que nem sonho foram

há versos que nunca encontrei

nos fundos nos cantos de mim

que não sei, que não vi

há tamanhos que não medi

e verbos que não citarei até à morte

 

deveria sentir o fluir da simplicidade

mas nada me disse esse caminho

não senti com que palavras

escrever essa luz pra dizer-me ao mundo

e o tempo acontece, mesmo no limbo que estou



Lisboa, 21 de Setembro de 2017

Lino Costa

In: Versejos Livres



04
Set17

do mar... És do mar

Lino Costa

aquele cais
faz-te miragem
sempre que uma saudade o contém,
bebe-te do vulto, do que lhe dás
pra que convicto seja de sabor,
que és vida e matéria

 

tens voz, caminhas, tens passo firme
não pereceste, não te resumiste a memórias...
e do horizonte, d'onde acenas
não há vagas, turbilhões
apenas a leveza do que tens sempre a dizer

 

aquele cais, parte de mim
aos meus pés
vai onde o meu medo me deixa ir
e não me consente a partida
aquele cais, sustenta-me,
a psicose de te ter
sem temer, mas longe
sempre longe


Lisboa, 4 de Setembro de 2017
Lino Costa
In "Versejos Livres"

 

 

26
Jul17

carta ao mundo

Lino Costa

dá-se a esta luz escassa

e o mundo, tem a morte na sentença

o cão uiva em devassa

e faz mais escassos, ainda,

os cantos castos a que o homem não chega

e a mão esquece

 

o mundo caminha pra se esvanecer

e a luz dirige-se ao fim

a luz…, a luz,

a luz que tanto quero de mim

a luz, que fiz, a luz que diz...

o que serei? o que será?

 

e os dias vão

mais frios mais vazios

a semente tem cada vez menos de si

o vento só se cumpre em revolta

que fere os sentidos e dá saudade

da brisa que padece de extinta

e o mundo parte a nada

sem saber

se vida lhe promete outro destino

sem saber

que vozes vão chegar

que outros Bichos virão

quando este perece

como um triste dedilhar de piano

 

com que mão te faço novo?

Mundo,

que escavei pedra com pedra

que amo e amarei

e que herdas quem quero

num verde esperança do meu sonho

 

espera outro tanto

que a luz ainda se faz forte

e o homem se tem arrependido

fraco, cansado

Mundo assim, donde vim

ergue-te antes do fim



Lisboa, 26 de Julho de 2017

Lino Costa

In: Versejos Livres

21
Jul17

Rio grande

Lino Costa

lírio azul

o leito do sorriso imberbe

desmedido, sem medo

amor intenso imenso

bucólico selvagem por mondar

 

d’onde vens nostalgia?

apertada contida num sem tamanho

de margem a margem, fazes-me rio

cheio de coisas memórias glórias

catraio menino ainda por chegar

 

Lisboa, 21 de Julho de 2017

Lino Costa

In: Versejos Livres

 

04
Jul17

uma carta ao mar

Lino Costa

este desmedir, encegueira-me o amor

e é uma certeza que me rege enorme

a cada dia que existo dentro desta distância

 

na carta meridional turvas-te na neblina

e procuro-te numa deriva sem destino

porque a tua ausência me causa um pedaço de morte

de tristeza, solidão e me fere o apego

 

faltas-me para que tudo seja um sentido concreto

e os astros se alinhem na exactidão recta de galáxia

sempre te quero amar, ter-te astrolábio

pra que quando te esgueires mundo fora

te saiba para onde te vai a tua proa

 

 

Lisboa,4 de Julho de 2018

Lino Costa

In: Versejos Livres

 

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